terça-feira, 28 de março de 2017

Pérola Mini-Arrojada - 2/Junho/2015

(8 anos e 10 meses)

GORDICES


A apanhar sol a Nô faz-me uma festa nas pernas.

- Ai Mãe as tuas pernas estão tão macias!

Respondo eu:

- É normal, eu besunto-me com creme para não ficar seca.

- Não não, é mesmo a tua gordura que tá fofinha.

(Esta miúda tá a habilitar-se a uma bela berlaitada. Ai tá tá!)

Pérola Mini-Arrojada - 21/Maio/2015

(8 anos e 9 meses)

Parvoíces artísticas

A Nô a brincar feita louca, dá meia volta por cima do braço do sofá, embrulha-se toda, cai no meio do chão e levanta-se muito rápido. Diz-lhe o Pai em tom de desdém:

- Ai Leonor! Que maneira tão parva de sair do sofá.

Resposta:
- Parva não. Artística!
E sai da sala. Triunfante.

(Looooooolllllll!!!!!)






Arrojinha*

Pérola Mini-Arrojada - 5/Maio/2015

(8 anos e 9 meses)

Do capítulo "Podia ouvir isto todos os dias"

- Mãe sabias que te amo tudo? Sabes, em toda a minha vida nunca sonhei ter uma Mãe assim como tu... 

E disse-me isto de lágrimas nos olhos.
(Que é como estou agora)


Arrojinha*

Pérola Mini-Arrojada - 29/Abril/2015

(8 anos e 8 meses)

Sonices de Mãe

A propósito do Dia da Mãe pediram à Nô para descrever a Mãe, dizer qualidades e essas cenas, o que quisesse. Respondeu, entre outras coisas, que eu sou muito "soneira", que ela quer brincar comigo, eu sento-me no sofá e adormeço.

Nota-se muito que ela tá a curtir esta nova fase de gravidez como ninguém? Tadinha...

#quisesteummanoagoraaguenta


Arrojinha*

segunda-feira, 27 de março de 2017

Pérola Mini-Arrojada - 16/Abril/2015

(8 anos e 8 meses)

A Nô é uma calorenta de primeira, sempre foi, sai ao Pai. Se puder andar sempre fresca, óptimo. Hoje vestiu uma saia fresquinha e um top e, como é toda bem feitinha e morenaça, meti-me com ela. Disse-lhe:

- Elá! Pernocas ao léu, que bom! Minha pernoca liiiinda!
- Então Mãe, tava com calor...
- Sim filha e o que é bom é para se mostrar. - Disse eu.
- Pois é... Mas o teu rabo é bom e tu não mostras.

(Não sei o que responder a isto. Sinto-me como se tivesse ouvido uma boca de um trolha.)


Arrojinha*

quarta-feira, 22 de março de 2017

BOMBA A BORDO!!


Quando temos medo somos tudo.

"Ah porque eu não sou racista! Nem xenófobo! Nem julgo as pessoas pela sua cor ou nacionalidade!"
Se me permitem uma asneira: uma merda é que não! Quando nos vemos metidos numa situação de pânico, todos à nossa volta são perigosos e potenciais terroristas.

Viajei para Londres na semana passada (fui 2 dias em trabalho) e só o Paizinho do céu sabe como detesto voar embora voe desde pequena e o meu Pai seja piloto e esteja sempre a dizer que o avião é o transporte mais seguro do Mundo mesmo antes do carro e do elevador. Quer dizer, eu gostava de poder voar literalmente (como nos acontece nos sonhos) mas viajar de avião é um stress para mim, para a minha cabeça, para o meu coração, para o meu corpo todo. Gosto de ter os meus pés bem assentes no chão e, se for para passar por algum imprevisto ou situação de pânico, preferia não estar sentada ao lado de um paquistanês com ar suspeito. NÃO ME JULGUEM JÁ, ouçam o resto da história. Coitado! O senhor, rapaz que deve ter a minha idade, foi super simpático e, às tantas, lá tentou acalmar-me porque viu que entrei mesmo em pânico. Eu explico. E atenção que escrevi isto durante a viagem para não me esquecer de nada, de nenhum pormenor.

Entro no avião e o meu lugar é um dos últimos, entre um paquistanês de boné e semblante carregado (soube depois a nacionalidade porque fiz-lhe um interrogatório pior do que a PIDE) e uma senhora que decidiu descalçar-se. Big mistake! Bem que me cheirava a queijo e pensei "Mas ainda agora entrámos e já estão a preparar a comida?" Nop, não estavam. Senhora. DESCALÇA! Ok? No, not really mas tudo bem.
Esse foi o mal menor, acreditem.

Começam a acomodar-se os passageiros e percebe-se que há pouco espaço nos compartimentos para as malas então as hospedeiras começam a arrumar melhor as cenas e, enquanto o fazem, perguntam de quem é a mala que têm na mão. Às tantas uma delas levanta uma mochila preta (a hospedeira era negra, detesto dizer preta, sorry, e isto é importante para a história) e ninguém se acusa como dono da mesma. Pergunta uma vez, pergunta duas, pergunta três, pergunta quatro e começa o burburinho. Como devem calcular, começa a ficar tudo um bocadinho stressado e a hospedeira, que entretanto estava a ficar em modo Michael Jackson (tava a ficar branca por isso era importante frisar que era negra, imaginem o pânico que devia estar a sentir e com aquele olhar de medo tipo "O que é que eu faço com isto?? Será uma bomba??") começa a andar para trás, muito devagar com a mochila pendurada na mão, em direcção à parte traseira do avião, depois das casas de banho. Mais do que aquilo também só sair pela porta. Ora, meus amigos, isto estava a acontecer mesmo por cima da minha cabeça, apenas a 4 filas da minha. A mochila tinha estado no compartimento por cima da minha cabeça. Eu não conseguia tirar os olhos da hospedeira e ela continuava a perguntar de quem era aquilo e toda a gente a dizer que não, "Not mine!". Fuck! Really? Com a mochila pendurada na mão e afastada do corpo (eu percebo que aquilo naquele corpinho também não estava famoso, ela devia estar uma pilha de nervos porque não conseguia disfarçar) pegou no intercomunicador e falou com alguém, sempre muito nervosa. Eu continuava a olhar para ela sem tirar os olhos, borrada de medo, e ela olhava para mim de vez em quando e voltava a perguntar, talvez na esperança de que a mochila fosse minha "Is it yours madam?". Agora que penso nisso é normal que ela achasse que aquilo podia ser meu já que eu não parava de fixá-la bem nos olhos. Eu continuava a responder que não até que lhe disse que estava "só" preocupada porque ninguém se acusava e a ansiedade aumentava. Pormenor importante: o paquistanês ao meu lado. De boné e fato de treino, de cada vez que ela perguntava de quem era a mochila ele desviava o olhar e não respondia, não reagia. Se pudesse encolhia-se todo. Tava a fazer-me uma confusão danada e ainda me enervou mais! Caraças, não podia dizer apenas que não era dele??? Oh que raio! Paara além disso, não parava de mexer no smartwatch e no telemóvel. É aqui que começo realmente a entrar em pânico e a fazer um filme na minha cabeça que fazia todo o sentido na altura (agora não...): "Olha tu queres ver que a mala é aqui do homem e ele tá a combinar mandar isto tudo pelos ares?? Ou então tá a programar o detonador porque tá a ver que vai ser apanhado!!" Tudo começou a parecer demasiado suspeito e a fazer sentido (na minha cabeça. Estúpida!! Tenho de deixar de ver filmes, mesmo.)

Entretanto, os portugas a bordo começam todos a perguntar o que se passa, eu já em pânico, não dava para fazer reset ao corpitxo, completamente passada e o avião começa a andar com alguns passageiros ainda de pé. Tipo oi? Então mas vamos seguir viagem com alguns passageiros de pé no corredor e a hospedeira com uma mochila sem dono e suspeita ao colo?? Mau... o paquistanês continuava impávido e sereno mas mexia no telemóvel e no smartwatch ao mesmo tempo. Juro que pensei "Ora bolas, tá a accionar a bomba por controlo remoto e isto ainda vai pelos ares antes de levantarmos voo! Só pode estar feito com os pilotos! Porque raio é que estamos a andar com uma mochila suspeita sem dono e pessoas ainda em pé??" Mais: o homem tava de fato treino: "Claro, desistiu da vida. Já que vai morrer nem se preocupou em vir vestido decentemente, óbvio. Ah se é pra explodir então vou assim mesmo." E estávamos num avião da British Airways, perfeito para um atentado. Digam-me que não sou a única a ter estes pensamentos, por favor!

Pra mim já tinha dado, não aguentava mais, tinha chegado ao meu limite de coração entalado na garganta. Tiro o cinto, levanto-me e pergunto "WHAT THE HELL IS HAPPENING??". A hospedeira que tinha a mochila e a colega respondem que não se passa nada, que tá tudo controlado e que estão a tentar falar com a restante tripulação. Tudo no avião a perguntar se íamos mesmo descolar perante uma situação destas e eu passei-me! Levantei-me, peguei nas minhas coisas (mala, mochila, casaco e almofada) e disse a brilhante frase "I wanna get out!! I'm getting off the plane!" E (burra!) fui ter com a hospedeira que tinha a mochila na mão, lol! Podia ter ido para o lado contrário para ao pé da outra e longe da "bomba" mas não, fiquei a 1cm da "coisa" (estúpida!! Ai Arroja tu realmente às vezes até pareces parva.) Às tantas já não sabia se a rapariga estava aflita por mim ou por não saber o que estava na mochila. Dizia-me ela que estava tudo bem e que não levantávamos voo enquanto não se descobrisse de quem era aquilo mas eu queria era que se descobrisse de quem era o mais rápido possível e, de preferência, que não estivesse ali dentro comigo.
Continuei em inglês "Não, não está a perceber: eu não vou neste avião com isso, eu quero sair daqui! Só quero que parem o avião e me deixem sair que apanho o próximo." Como se isto fosse a carreira dos autocarros ou o metro. (Jasus! As figuras que uma pessoa faz quando entra em pânico) Eu só queria sair dali e ficar longe do paquistanês com ar suspeito que continuava sem se manifestar, apenas olhava para mim muito sério e ninguém parecia prestar-lhe atenção. Mesmo, ele estava  demasiado tranquilo e sério e não parava de mexer ora no relógio, ora no iPhone. What the hell?? Opah não pensavam o mesmo que eu naquela situação?

Bom, a outra hospedeira aproximou-se quando percebeu que eu estava levantada com a minha bagagem toda pendurada em mim e a dizer que queria sair. Disse para não me preocupar porque quando entraram no avião a mochila não estava lá, tinha de ter vindo com alguém. Claro!!! "Veio com o paquistanês!!! Não é óbvio?? Ele quer mandar isso tudo pelos ares mas não quer ir sozinho que isto de ser mártir com companhia é muito mais divertido!" pensei mas não disse, pouco faltou. E teria certamente a minha companhia no inferno, tal era o julgamento que eu estava a fazer dele, coitado do rapaz que devia ser da minha idade!
A 2ª hospedeira, bem mais calma do que a 1ª, pega na mochila e diz que vai descobrir de quem é e eu só pensava "Ai mulher tu não abanes isso que não sabes o que tá lá dentro, Oh valha-me Deus!" E ela, bem mais descontraída que a outra, começa a andar pelo meio do avião com a mochila encostada à cara (a corajosa!) e a perguntar alto e bom som se aquilo era de alguém. Olhava para cada um dos passageiros e perguntava "Is this yours?", Is this yours?", "Is this yours"? Nada! E o pessoal a ficar mais nervoso, tudo a virar cabeças, a levantar-se das cadeiras até que um senhor que estava sentado na última fila de fones nos ouvidos (o otário!) exclama com a maior das calmas "Oh, that's mine!" Ai sim? É seu?! E um par de belinhas no meio da testa, não??? Suspirei de alívio, acho que me caiu tudo, até me senti a desmaiar. A hospedeira aflitíssima diz-me "See? There is nothing to worry about." com um tom muito maternalista. Ah pois não! Não és tu que vais ao lado do paquistanês, sou eu! Se isto der merda tu mandas-te pela janela mas eu tenho o cinto e tou mesmo ao lado do senhor, vai ser bem mais difícil escapar.
Digo-vos, só não me borrei toda porque já tinha feito cócó. Mesmo.
(Desculpem-me pela imagem mental agora)

Só que o filme já estava todo feito na minha cabeça e eu só pensava que aquilo estava a acontecer por uma razão, parecia que estava mesmo dentro de um filme, era tudo demasiado estranho para ser real e estar mesmo a acontecer.
Bebi um copo de água, tremia que nem varas verdes e lá me mandaram sentar porque o avião não parou e íamos mesmo descolar. Fui para o meu lugar mas ainda não ia convencida. Pensei cá para comigo "Ok, isto da mochila foi uma infeliz coincidência mas o raio do paquistanês continua com um ar muito suspeito e não pára de mexer no relógio e no iPhone. Para quê senhores?? Só pode estar a armar alguma."

Volto então para o meu lugar, peço desculpa ao paquistanês, que teve de levantar-se para eu me voltar a sentar e sento-me. Uma rapariga muito simpática na fila ao lado pergunta-me se está tudo bem e respondo que não, mais ou menos vá. A senhora ao meu lado também estava muito nervosa e diz-me baixinho "Que susto! Se pudesse também me ia embora!" Pois, pudera!! Que cagaço! Mas eu não tava convencida com o suspeito do meu lado esquerdo, o avião em andamento quase a preparar-se para descolar e ele no facebook. "Oh diabo! Arroja não és gaja não és nada se não tentares descobrir o que se passa aqui." Então comecei o interrogatório ao desgraçado do homem que durou a viagem quase toda e ao qual ele resistiu com uma paciência de santo. Eu acho, agora que olho para trás à distância de 6 dias, que ele percebeu perfeitamente que eu tava a desconfiar dele. Ah não!! Se íamos todos pelos ares, eu queria pelo menos perceber quem era aquela pessoa. (Alguém que me chocalhe please??)

Conversa toda em inglês:

- Sabe que não pode estar com o iPhone ligado não sabe?
- Sim sim, vou já desligar.

Assim que descolamos e estabilizamos lá em cima ele saca do computador e abre uma cena que parecia o e-mail:

- Está a conferir o seu Mail? Olhe que não pode...
- Ah não não. Estou só aqui a tratar de umas coisas de trabalho.  

Trabalho... pois. Deve estar é a conferir coordenadas e horas e cenas para detonar a bomba. Deve ter ficado nervoso e atrasou isto tudo. E porquê este meu pensamento? Porque não só ele estava demasiado calmo como não largava os aparelhos electrónicos e fazia por esconder a cara. Caramba!! Não teriam pensado o mesmo que eu?! Eu só pensava na notícia que depois iria passar nos telejornais de um avião da BA que tinha explodido em pleno voo e depois a foto do terrorista que tinha levado a cabo o ataque. E tudo se encaixava. Então decidi conhecê-lo na tentativa de mantê-lo ocupado e impedir o que quer que fosse acontecer. (Eu devia era ser guionista, tenho de pensar nisso pra ganhar mais uns trocos).
Vai daí perguntei-lhe tudo e mais alguma coisa e quando eu digo tudo é tudo mesmo. Porque é que ia para Lisboa, se morava em Londres, se tinha família, que idades tinham os filhos, o que é que fazia na vida etc. Disse-me que trabalhava numa empresa da qual não percebi o nome, tinha mulher e duas filhas, morava em
Londres, era do Paquistão e ia a Lisboa para uma reunião de negócios. O problema é que ele respondia a tudo muito calmamente e hesitava antes de responder. "O gajo tá a pensar, tá a inventar para ver se me engana." Às tantas pergunto-lhe como é que se tinha mantido tão calmo durante o episódio da mochila.

- I jump off planes twice a week.

"Salta de aviões duas vezes por semana?? Para quê? Só se for para treinar! O sacana anda a treinar." Pensei eu. Voltei à carga:

- Mas porque é que salta de aviões duas vezes por semana? É pára-quedista? Faz skydiving?

Esboça um sorriso e responde:

- É uma expressão. Entro e saio de aviões duas vezes por semana porque viajo muito. Trabalho para uma agência de viagens internacional e tou habituado a voar, já não fico nervoso, encaro tudo com naturalidade.

"Claro! Andaste a treinar e vocês são treinados mesmo para isto! Para terem uma frieza dos diabos." (Até onde vai a demência de uma pessoa em pânico e completamente alterada a achar que vai desta para melhor.) Só que o rapaz começava a parecer-me sincero. Bem, só por ter levado comigo a viagem toda é um mártir, um verdadeiro mártir sem ter precisado de explodir nada.

Ainda não muito convencida, continuei o interrogatório e ele entrou no jogo e começou também a fazer-me perguntas, o que tinha ido fazer a Londres, etc e tal. Expliquei-lhe que trabalhava em rádio e tinha ido entrevistar dois actores de um filme que vamos apoiar, ficou muito interessado e conhecia os actores (Aqui pensei "Olha, gosta de cinema e percebe de filmes, se calhar é só um gajo que teve o azar de ter algumas atitudes suspeitas durante toda uma situação estranha e deve estar tão habituado a que o julguem pela aparência e pela côr da pele que opta por ficar na dele e nem sequer reagir quando acontece uma situação destas".)
Viemos a conversar o caminho todo, ele a tentar trabalhar e preparar a sua reunião e eu a tentar saber mais sobre ele. A verdade é que a conversa foi fluindo e, às tantas, já tinha descontraído de tal forma que já quase que tinha esquecido os meus pensamentos e desconfianças iniciais. (Até acho que passei pelas brasas durante uma meia-hora.) Disse-lhe que tinha de voltar e conhecer o resto do País, ele que só conhecia Lisboa mesmo e que, já agora, também devia passar pelas nossas ilhas. Acabei por dar-lhe um roteiro turístico do Continente português e seus arquipélagos.

Esou desculpada por ter pensado mal dele, não estou?

Isto acabou por ser uma grande lição de vida. Julgamos os outros, julgamos os que julgam os outros, todos julgam os outros mas se nos virmos com o rabinho entalado também fazemos o mesmo, é quase impossível não o fazermos, é estúpido mas é quase uma defesa nossa. "Se és diferente de mim então és o culpado ou responsável." Não tem de ser assim.
Só de pensar que cheguei a dizer ao homem "Nota-se que não é caucasiano, é de onde?" Arroja, really?? Até me sinto envergonhada. Shame on me!
Por outro lado, olho para as notícias de hoje, do alegado atentado em Londres, e não deixo de sentir um friozinho na barriga. A minha grande amiga Maggie (que vive lá há muitos anos) tinha estado no local do atentado 20 minutos antes de acontecer. Nunca sabemos onde vai ser o próximo, por quem vai ser levado a cabo... será que vale a pena vivermos aterrorizados e condicionarmos a nossa vida por causa disso? Já para não falar nas figuras tristes que uma pessoa faz por causa do medo.


Pensem nisso. Serviu-me de lição.


Arrojinha*


terça-feira, 21 de março de 2017

FUNTASTIC MOM ARROJADA

Há umas semanas escrevi um post sobre a mania que as pessoas têm de opinar acerca dos nomes dos nossos filhos e usei uma expressão que aprendi graças a uma entrevista que dei ao blog Funtastic Mom e passei a usá-la: "Porque os filhos são meus pôrra!"

Aqui fica a entrevista que dei à Inês Leite Rocha no ano passado:




Hoje conversamos com Ana Isabel Arroja, tem 37 anos, 2 filhos – a Leonor com 10 anos e o Salvador com apenas 13 meses, é Mãe, Mulher, Comunicadora, Animadora de Rádio, DJ, Blogger e mais, se houver.

5’Tastic Moms: Quem é a Ana Isabel Arroja?
Ana Isabel ArrojaSou eu, a Arrojinha, muito gosto! (risos) Respiro música e rádio, sou louca por animais e não vivo sem a minha família e os meus amigos que são quem, no fundo, me atura. Acho que sou uma pessoa simples mas, ao mesmo tempo, complicada. Toda eu sou uma contradição.

5’Tastic Moms: O que é para si ser mãe?
AIA: Era um sonho desde pequena. Sempre quis ser Mãe. Sempre disse que podia acontecer-me muita coisa na vida mas se não pudesse ter filhos biológicos seria muito infeliz. Sei que podem estar a julgar-me nesta altura porque há sempre a questão da adoção, sempre ouvi dizer que se ama da mesma forma mas era uma cena minha. Até podia ter 5 filhos adotados mas gostava de ter, pelo menos, 1 biológico. Para mim ser Mãe é mimar, educar, acompanhar, estar presente o mais possível e brincar, brincar muito e gargalhar até não poder mais. É incluir os filhos na nossa vida e rotina enquanto casal, não o contrário.


5’Tastic Moms: A Ana tem 2 filhos lindos, as gravidezes foram planeadas? O que sentiu quando descobriu que estava grávida?
AIA: Super planeadas, ambas. Da Nô foi muito rápido. 1 ou 2 meses depois de começarmos a tentar engravidei, nem tivemos tempo para treinar muito (risos). Do Salvador já foi mais complicado. Começámos a tentar e não acontecia nada. Tentámos durante 1 ano e meio e, quando estávamos prestes a ir ao médico fazer exames para entender o que se passava, engravidei mas abortei 1 semana depois de descobrir que estava grávida. Foi um choque muito grande. Não entendia, enquanto mulher, o que podia estar a falhar. Sempre fui saudável, o Gil também, tinha sido tão fácil da 1ª vez e agora não. Foi um turbilhão de sentimentos, uma frustração, uma dor muito grande mas superámos tudo com muito apoio familiar, voltámos a tentar e, apesar de ter demorado quase 1 ano, conseguimos. Desistir estava fora de hipótese. Ponderámos adotar mas fomos brindados com o Baby S.

5’Tastic Moms: Alteraste a tua maneira de agir, enquanto mãe, do primeiro para o segundo filho? Se sim, em quê?
AIA: Sou muito descontraída por natureza, talvez até demais e 9 anos (a Nô tem 10 e o Salva 1) fazem muita diferença, esquecemos muita coisa. Não é bem como andar de bicicleta (dizem que sim, eu acho que não) mas o lado positivo é que encaramos tudo de uma forma ainda mais descontraída, mais despreocupada. Agora também tenho a Nô que nos ajuda imenso e participa em tudo. Não somos 2 Pais com 2 filhos pequenos, somos sim 2 Pais e 1 mana mais velha com um bebé. Somos 3 a cuidar de 1. No entanto, há uma coisa que noto que acontece, não sei se é fruto da idade mas tenho aproveitado muito mais o Salvador. Sempre fui muito de agarrar, de abraçar, de beijar, de snifar a Nô (Há lá coisa melhor do que cheirar os nossos filhos??) e agora com o Salva sou tudo isso a triplicar! Se puder não o largo nunca, apetece-me estar sempre com ele, namoro ainda mais com ele mas, como já tinha dito, acho que isso tem a ver com a maturidade. Tinha 27 anos quando fui Mãe pela 1ª vez, agora estou a caminhar para os 40. (Credo! Vou só ali deprimir-me e já volto)

5’Tastic Moms: Quais são os seus maiores receios/medos como mãe? E como mulher?
AIA: Tenho uma pedra no sapato sempre: a morte. Tenho pavor de morrer e eles ficarem sem mim, tenho medo que lhes aconteça alguma coisa a eles. Tento relativizar mas vivo aterrorizada com isso. Esse é o meu maior medo. O maior susto que apanhei foi quando ele esteve internado com uma infeção urinária, nem 1 mês tinha ainda. Pensei que me dava uma coisinha má. Depois, como é óbvio, tenho muito medo que não sejam boas pessoas, íntegros porque a verdade é que os educamos mas a partir de uma certa altura eles seguem o seu próprio caminho e tenho medo que se desviem daquilo que acho que é o caminho certo. Tenho medo que não sejam felizes. Façam o que fizerem na vida têm de ser felizes, é a alavanca para tudo. E educados. Pessoas mal educadas tiram-me do sério.


5’Tastic Moms: Que tipo de mãe é a Ana?
AIA: É tão difícil responder a isso, já me perguntaram várias vezes e não sei bem o que responder. Não é uma questão de tentar ser modesta é porque não sei mesmo. Eu sou eu, sou a Arrojinha independentemente de ser Mãe ou não. Sempre fui assim, sempre fui a mesma com ou sem a exposição pública que o meu trabalho implica. Mantenho os meus amigos de infância e adolescência, continuam a ser os meus melhores amigos, por exemplo. Sei que há quem defenda que Mãe não é, nem tem de ser, a melhor amiga dos filhos. Lamento mas não concordo nada com isso. Também não faço questão de ser “A” melhor amiga da minha filha (falo mais nela porque o Salva ainda é bebé e o tipo de relação que tenho com a Nô ainda não tenho com ele) mas faço questão, isso sim, de ser amiga para além de Mãe porque eu sou assim, é a minha forma de estar na vida e não há ninguém que a ame mais do que eu e o Pai. O melhor elogio que me podem dar, enquanto Mãe, é “Vocês parecem duas irmãs que se dão muito bem!” e eu adoro isso, ouvimos isso constantemente. Acho que é possível educar e ser amiga ao mesmo tempo. Também digo que não, também ralho (pouco, é verdade), ela também fica zangada comigo de vez em quando porque não a deixo fazer alguma coisa mas somos muito amigas. Às vezes olho para ela e sim, sinto uma ligação muito particular com ela, é a minha grande companheira, divertimo-nos juntas como amigas o que não anula o meu papel de Mãe. Quando está doente lá está a Mãe para apoiar e dar miminhos, quando tem dúvidas nos trabalhos de casa lá está a Mãe para ajudar, quando tem fome lá está a Mãe para fazer a comidinha de que ela gosta. Acho que é preciso, acima de tudo, uma boa dose de bom senso. Não ser demasiado rígida nem demasiado permissiva. Desculpem mas não consigo definir a nossa relação enquanto Mãe e Filha, é demasiado nossa.

Em relação aos dois, deixo-os cair para aprenderem a levantar-se, deixo-os brincar, experimentar, sujar-se e expressarem-se sem terem medos ou vergonhas. Isso é tão importante quando estamos a formar “pessoínhas” que serão os nossos adultos no futuro. Ajudá-los e incentivá-los a terem confiança neles próprios.

5’Tastic Moms: Quais são as suas rotinas diárias enquanto mãe e mulher?
AIA: Neste momento a minha vida está um caos. Mesmo. Tratar dos miúdos, dos 2 cães, da casa e do marido (risos). A sério, há uns meses achei que dava em doida. Pela primeira vez na vida tive de contratar uma empregada para me ajudar 1 vez por semana com a limpeza da casa e é uma grande ajuda, realmente. Sempre achei que não precisava de mais ninguém mas nunca mais me esqueço de uma frase que a pediatra dos meus filhos me disse, tinha o Salvador apenas 3 semanas: “Ana, meta na cabeça que não é uma Super Mulher. Não há Super Mulheres.” Aquilo bateu forte cá dentro. A partir daí deixei de exigir tanto de mim. Não sou pessoa de me maquilhar, de me arranjar demasiado nem ter rotinas de beleza. Óbvio que gosto de hidratar a pele, passar um rímel nas pestanas e usar um anti-olheiras. Isso sim, imprescindível! Tem de ser. Não saio de casa sem isso. Desodorizante e perfume. De resto, é o mais confortável possível, cabelo apanhado e ténis. Gloss, que é uma coisa que adoooooro nos lábios, deixei de usar desde que fui Mãe. É raro usar. Preciso de beijar os meus filhos constantemente e não quero que andem todos pegajosos e cheios de glitter por todo o lado (risos).

5’Tastic Moms: A Ana é um Comunicadora, Animadora de Rádio, DJ, Blogger e mais… Como consegue conciliar todos os seus projetos, se o dia só tem 24horas, e ainda ser mãe?
AIA: O nosso dia começa sempre às 7.30h, deixar a Nô na escola às 8.30h, a seguir o Salva nos avós e depois ir trabalhar, tendo em conta que moramos na Margem sul e trabalhamos em Lisboa durante a semana e percorremos o País de Norte a Sul ao fim-de-semana. A Nô pratica ginástica acrobática e patinagem artística, tem explicação de matemática, eu e o Gil temos todos os nossos trabalhos e o que nos vale é o apoio familiar. Tentamos sempre ser nós a acompanhar a Nô nas atividades extra mas nem sempre dá e os meus Pais têm sido (sempre foram) fundamentais. Os Avós foram uma grande invenção! São eles o nosso principal apoio com toda esta logística que é complicada, não é pêra doce. Neste momento faço emissão na Comercial das 22h à 01h, por isso o meu dia nunca acaba antes das 2h, 3h da manhã. Ao fim-de-semana temos tido, felizmente, muito trabalho como DJS e, quando não são discotecas, a Nô já pode acompanhar-nos, o que é muito fixe, ela adora. Só não anda connosco quando não pode mesmo por ser tão pequena. Temos muito pouco livre mas é um investimento a longo prazo e adoramos o que fazemos. Acabo é sempre por deixar o blog e o canal de youtube para 2º plano porque, não faço disso um negócio, são dois hobbies que me dão prazer mas para os quais não tenho quase tempo nenhum, a verdade é essa. Prefiro deixar a casa desarrumada, loiça por lavar e coisas por fazer para poder adormecê-los e estar mais um bocadinho com eles porque isto passa tudo demasiado rápido. Como costumo dizer #quisestepinaragoraaguenta

5’Tastic Moms: Se pudesse deixar um conselho que quem foi mãe há pouco tempo, qual seria?
AIA: Relaxem e não levem a peito as críticas de quem está à vossa volta nem dêem tanta importância às opiniões de quem acha que sabe sempre mais do que vocês. As Mães somos nós, porra! Não é? Chill out and enjoy the moment. Relativizem tudo. Vocês é que são as Mães, os filhos são vossos, o resto interessa pouco. Não vivam em função da opinião e experiência dos outros. Cada um é como cada qual, que é uma expressão que adoro.

5’Tastic Moms: Qual é o papel do Francisco na educação da Leonor e do Salvador?
AIA: Fundamental! Não falei muito nele porque a entrevista é sobre as Mães, certo? Mas a verdade é que não vivo sem ele nem conseguia fazer metade do que faço sem ele. Temos uma forma muito particular de viver. Horários tardios e desfasados, refeições fora de horas, muito poucas regras e uma dose gigante de amor, compreensão e bom humor. Encaramos tudo isto sempre com muito humor porque é assim que tem de ser. É o meu companheiro de uma vida, o meu parceiro, o Pai dos meus filhos. E tem uma paciência de santo, é o meu equilíbrio. Eu sou muito enérgica, pêlo na venta, destemida, distraída enquanto que ele é super calmo e observador, muito mais racional. Não me imaginava a viver ou a ter filhos com outra pessoa. Não sabemos o dia de amanhã mas sinto que o Universo nos juntou. A minha Mãe sempre disse que só se estragava uma casa, lol!!!! A verdade é que estamos juntos há 18 anos e, até agora, tem corrido tudo bem.

5’Tastic Moms: Que situação já a levou a dizer ou a pensar “Porque o filho é meu, porra!”?
AIA: Tantas... mas aquela mania de dizerem “Ai coitadinho do menino que tem os pezinhos frios!” Epah não! Os bebés têm sempre as extremidades do corpo mais frias, no caso dos meus filhos, quando os pés ou as mãos estão quentinhos é porque estão com sono. Não gosto de ver as crianças todas enchouriçadas, cheias de roupa, meias, collants, uma camisola interior, mais outra por cima e um casaco e mais sei lá o quê. O meus filhos sempre andaram descalços o mais possível, até porque segundo a pediatra deles, os pés têm sim de respirar e os bebés têm de ganhar defesas. Se estiverem sempre todos tapados, num dia em que estejam um bocadinho mais à vontade têm mais probabilidade de ficarem doentes. Isso é o que me tira mais do sério, a preocupação constante em tapar e proteger os miúdos. Menos. Porque os filhos são meus, porra!! (risos) Adoro esta expressão, vou passar a usar, eheheheh!!!

5’Tastic Moms: Os meus filhos são… (termine a frase)
AIA: Os meus filhos são... felizes e doidos. Como os Pais.


Obrigada Arrojinha pelo seu testemunho.



Obrigada eu Inês, um beijinho arrojado*